AQUELE SAMBA

pandeiro
Carnaval passou e com ele todo o barulho, euforia e calor. O silêncio que me dava paz ultimamente apenas me agride, o escuro onde eu me confortava agora é refúgio pro choro que não consigo engolir. Sinto falta da festa, da música, de poder dançar livre pelas avenidas.

A bagunça de lá nem se compara com a bagunça daqui de dentro. De hoje. O samba de lá não dá nota por aqui. Por aqui é ausência e só. De muito, mas não de tudo, puro caos. Sei que sinto, são sei o quê ou por quê. Não sei das causas e consequências. A coragem não bateu, te vejo de longe.

Talvez eu sinta falta mesmo é do barulho de distração que me afastava do fato de eu já estar meio longe de tudo. Talvez eu sinta falta de quando a poesia não vinha fácil: a arte só vem quando a vida pesa em desequilíbrio.

Ando meio exausta de tentar falar o que nunca parece ser devidamente transmitido por palavras. Quietude. Nem gosto de admitir que na verdade carnaval é só mais uma metáfora pro que foi, mas nesse caso, não volta ano que vem.