TENHO EM MIM TODOS OS SONHOS DO MUNDO

Sou pequena.

Sou de uma família de baixinhos, então meu tamanho não é surpresa pra mim nem pra ninguém. Sou pequena. Sou escrita em letras minúsculas: tudo em meu corpo é menor: meus pés, meus dentes, a largura dos meus dedos e do meu pulso, meus olhos que somem quando sorrio.

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Sempre tive espelhos em casa, é claro, então sempre tive também consciência da minha pequenez. Não que isso impeça as pessoas de me lembrarem dela em qualquer oportunidade que tenham. É frustrante em algumas vezes, como quando preciso de um banquinho pra conseguir pegar o biscoito que está na última prateleira ou quando alguém não me leva a sério porque tenho 1,58 de altura e o respeito de opinião é um pouco mais difícil de se conquistar pr’aqueles que têm menos de 1,60.

Por fora, sou pequena mesmo. Mas não se enganem: sou enorme aqui dentro. Tenho um universo inteiro entre meus órgãos, galáxias e sistemas solares de sonhos e ideias que transbordam pelos meus poros. Tenho uma poesia imensa que grita, chora e se descabela para ser escrita no papel. Tenho consciência do quão grande sou por dentro, não porque posso ver isso refletido no espelho, mas porque sinto.

Para compensar o pouco espaço físico que ocupo nesse mundo, faço dos meus versos mal escritos uma extensão do meu ser: nas minhas rimas, concretizo a imensidão do meu sentir.

PEQUENA ANOTAÇÃO NO RODAPÉ

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Tenho minhas manias: nos meus textos, sempre cito madrugadas, músicas do Cícero e teus pequenos detalhes que me fazem apaixonar pela mesma pessoa toda manhã.

Você é um velho hábito e sempre me disseram que velhos hábitos nunca morrem, sempre deixam algum resquício.

Toda noite, antes de dormir, respiro fundo e quase consigo sentir suas partículas restantes circulando dentro de mim.