OUTONO

A estação mudou e o olhar também, o tom azul do céu já está se esvaindo, a cor cinza pede licença e entra disfarçadamente na cidade adormecida. Em três meses se passaram cinco anos (ou mais), o tempo é traiçoeiro e nos ilude mais do que qualquer amor adolescente.

Fonte: http://inferninhoooo.blogspot.com.br/2011/05/quem-sabe-o-que-e-ter-e-perder-alguem.html

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Sentado no meio fio você deseja mudanças ao mesmo tempo que as evita; sua vida é composta por paradoxos complicados. Os carros passam – mas a saudade não. A busca por um momento (mínimo que seja) em que nada mais importa é tão infinita que talvez passem todos os anos da sua vida e mesmo assim você não consiga obtê-lo. Uma pena, talvez, ou não. Às vezes o sofrimento é necessário e deve não só ser sentido, mas ser valorizado, admirado, idolatrado quem sabe. Isso passa, tenha certeza. Do mesmo modo que os carros, um dia ou outro isso vai, o tempo se encarrega de vir buscar toda essa saudade. As gotas de chuva deixam de ser afiadas e passam a acariciar a pele, como cócegas gentis. Os cantos da sua boca aos poucos serão puxados por barbantes invisíveis e a sensação é incrível. Quer saber? Tudo vale a pena. Arrependimentos são inúteis. Pra quê querer mudar o que já foi? Melhor aceitar. Melhor pensar que, sem aquilo, você não seria o que é hoje. Nós somos formados pelo conjunto de ações e reações que fazemos e provocamos no mundo. Cada célula do nosso corpo é uma experiência pela qual passamos. Eu, particularmente, não mudaria nenhuma das minhas células; aprendi a ter uma boa convivência com minhas memórias.