NUA E CRUA

Gosto muito de ler sobre atualidades, debater política, provocar discussões futebolísticas e questionar religião. Adoro sentar e ter uma longa conversa sobre temas polêmicos e cheios de vertentes e pontos de vista, de aprender com isso e de usar todo o conhecimento para futuros textos e crônicas.

Fonte: http://labellafigura.net/

O que eu gosto mesmo, no entanto, é de escrever sobre sentimento. Escrever sobre o amor desafiando a mim mesma a não usar clichês, metaforizar a saudade, discorrer sobre arrependimento, angústia, melancolia. Amo escrever sobre tudo que me compõe como ser humano, sobre alma, vida e morte. Sou apaixonada pela poesia e a simetria dos versos, a rima, o ritmo.

Eu me sento no chão gelado da varanda do apartamento e observo o céu roxo do pôr-do-sol do outono. Eu amo o anoitecer e amo o outono, sou completamente apaixonada pelas cores, pelo céu, pela energia do momento. Sempre fui louca pelas madrugadas e o amanhecer, também. O silêncio, o ar fresco, o cheiro de uma cidade adormecida, a paz que paira no ar. Gosto de colocar meus fones de ouvido no volume máximo e escutar uma dessas músicas que me deixam sem fôlego, que se conectam com meu DNA de uma forma que mal consigo traduzir em palavras. O instrumental bem trabalhado de Weight Of Love, do The Black Keys, estoura meus tímpanos enquanto eu deslizo a caneta preta por cima da folha pautada sem nenhum capricho, apenas meus rabiscos que só eu consigo traduzir.

Sempre escrevo sob a luz do amanhecer, as cores do anoitecer ou o escuro da madrugada. Escrevo quando sinto que não estou me contentando dentro de mim, quando sinto que minha pele está se tornando uma jaula e que preciso sair de mim mesma. Viajar em algum universo paralelo, me desligar, ir pra qualquer lugar fora daqui. Grito em silêncio.

Gosto de escrever sobre minhas paixões. Eu adoro me apaixonar, mesmo sem reciprocidade. O sentimento de rendição, de entrega, de amor por cada parte do outro, até mesmo as mais sombrias. É algo tão genuíno, tão lindo, tão puro, principalmente quando é mútuo. Não consigo fugir dos meus clichês adolescentes e permito-me escrever dezenas e dezenas de poesias e textos sobre meus amores passageiros, minhas ilusões, meus sonhos impossíveis.

Tudo isso me transmite certa paz. A sincronia dos acordes que tocam nos meus fones com as palavras que escrevo no papel simultaneamente, confessar meus sentimentos, vomitar toda essa bagagem meio inútil e pessoal. É algo terapêutico. Massageia a alma, me relaxa, faz com que eu me sinta mais eu mesma. Mais exposta, nua, limpa, pronta para pegar outro papel e despejar alguns versos sem compromisso, apenas eu e o papel, nos compreendendo como dois velhos amigos.

Tenho minhas manias, meus momentos, meu ritual. Acima de tudo, tenho paixão pelo que faço. E pelo modo como faço. No fim, isso é tudo que importa.

4 comentários sobre “NUA E CRUA

  1. E é exatamente isso que importa…. o transbordar das palavras contendo suas opiniões! E quanta maturidade, mais uma vez! Fico surpresa a cada texto! E sempre esperando a próxima semana!

  2. Ei Sofia, é bom demais gostar do que a gente faz……..parabéns querida ! Cada semana um sucesso……beijo

    Enviado do Yahoo Mail no Android

  3. Depois deste vou aqui escutar minha música no ultimo volume…
    Porque nestes instantes em que , não caibo dentro do mundo….
    A Música me alivia….
    Obrigado!!!!

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