MORE NO SEU AMOR PRÓPRIO

A gente nasce e morre cercados de normas e leis, tantas regras para nos limitar, tantos pontos finais, tantas considerações a serem feitas, tantos limites. Pode ser desse jeito, mas nem tanto, pode ser do outro jeito, mas não tão pouco. Seja mais, seja menos, seja assim: do jeito que está imposto, do jeito que todo o resto também é, seja mais um na multidão.

tumblr_n7kxcvA4J31tatq0no1_500
Tentamos imitar o que é indicado como perfeito, ideal: os corpos nas revistas, os rostos bonitos, os cabelos lisos, loiros, longos, as roupas do momento, as músicas comerciais, os relacionamentos das revistas de fofoca. Padrões de beleza são engraçados: culturais, variáveis; nasci pra ser linda em 1950, mas nos anos 2000 eu deveria ser mais magra, deveria ser tão menos que sou. E quantas vezes já não olhamos no espelho e odiamos o que vimos? Querendo arrancar tudo, começar de novo dentro de outro corpo, chegando a nos obrigar a fazer dietas e nos dedicar a algo que odiamos apenas para nos encaixar no padrão de outros quando o único padrão que deveríamos nos obrigar a encaixar é o nosso.

Num mundo onde a baixa autoestima e a busca pelo ideal são incentivadas porque rendem lucro, temos que ser revolucionários e cometer o crime de amar a nós mesmos. Cada (falta de) curva, cada falha na pele, cada pedaço torto e desgastado que nos compõe, desde que sempre dentro do que é saudável. Estamos numa constante luta para agradar os outros, em busca de alguém que nos ame por algo que não somos genuinamente. O ser humano tem uma mania destrutiva de ter medo de estar sozinho. A solidão não é nenhum monstro, não quando vemos paz em nossa própria companhia. Temos que aprender a viver bem com o que somos para, enfim, conseguir viver bem com outra pessoa.

A coisa mais difícil desta vida é reconhecer e admitir os próprios sentimentos, perceber o que cultivamos em nosso interior inconscientemente, aceitar, finalmente, o que não vemos (ou não queremos ver, simplesmente) e conseguir gritar nossas fragilidades, mesmo que para ninguém escutar. Por que é tão difícil falar em voz alta algumas coisas que sabemos que sentimos, que somos, que vivemos, mas negamos por medo? Não há vergonha nenhuma em ser nós mesmos, em expor cicatrizes, em orgulhar-se do próprio corpo, seja ele do jeito que for.

Corajosos são os que admitem o que são na frente de tudo e todos; até pouco tempo, eu não conseguia admitir o que sou nem para mim mesma. Temos que aprender que temos que nos amar primeiro, confiar em nós mesmos primeiro, nos exibir para nós mesmos primeiro, nos orgulhar de quem somos primeiro, nos aceitar primeiro, nos colocar em primeiro lugar para depois aprender a amar, confiar, exibir, orgulhar, sermos aceitos por outros. Precisamos morar em nosso amor próprio, depositar nossa felicidade em quem somos, o narcisismo às vezes é saudável e necessário. E mande ao inferno os padrões alheios, as exigências alheias, as críticas de quem não tem nada a acrescentar: agrade a si mesmo, busque a satisfação própria; os outros só nos devem respeito. E ponto.

Ame-se, mas ame-se com vontade, com prazer, com dedicação. Ouse amar a si mesmo quando tudo ao redor diz que você não deveria. Confiança é algo sexy, atraente, use e abuse. Seja livre para ser quem você quiser, o direito é seu, é meu, ninguém tem nada a ver. Busque entender a si mesmo, revirar seus medos e segredos, mudar as velhas manias de esconder o que te torna o que é, admita suas falhas, ignore qualquer frase que tenha verbos no imperativo e um tom meio mandão, se achar que deve. Assuma a responsabilidade do que você é, sem amarras: a pior coisa que podemos fazer é impedirmos a nós mesmos de ser o que verdadeiramente somos pelo motivo que for.

4 comentários sobre “MORE NO SEU AMOR PRÓPRIO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *