EU, SATURNO

A imensidão desse universo me fascina e me assusta. Pensar na grandeza de tudo e na minha insignificância dá certa agonia ao mesmo tempo em que me conforta: é bom manter a perspectiva e perceber que meus problemas juvenis são tão pouco quando comparados a tudo que há. O espaço que ocupo é tão mínimo. Tão nada. Quase inexisto.

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Tempo e espaço são conceitos duvidosos, limitados e limitantes. Não confio em nenhum dos dois, me parecem um pouco forçados. Tudo é tão mais e maior, chega a ser injusto amassar toda essa relatividade dentro de termos e definições que pouco abrangem.

Pensar nisso me faz pensar em passado, presente e futuro. Me faz questionar minha própria existência e minha própria noção. Me perco no escuro que precede o nascer do sol pensando em como seria viajar entre as dimensões do tempo-espaço, se eu conseguiria sentir minhas partículas se desprendendo aos poucos do meu corpo, se eu seria capaz de perceber o exato momento que deixei de ser um pouco eu para ser parte do mundo e ter o mundo contido em meu interior.

Nos meus sonhos, me lanço entre galáxias e conheço os quatro cantos inexistentes de toda a existência. Dou cambalhotas em buracos negros brincando com as passagens entre dimensões, sem me importar muito com anos terrestres ou a quantidade de horas que um dia possui, teoricamente. Me imagino sendo estrela, sendo asteroide, sendo mais parte de tudo do que sou hoje. Eu queria mesmo era ser um sistema solar inteiro. Distante, cheio das minhas particularidades, com outros conceitos, com outras questões.

Se eu fosse um desses planetas que mais conhecemos, eu seria Saturno. Acho os anéis poéticos. Mas eu queria ser mais. Transcender o que se conhece até então.

3 comentários sobre “EU, SATURNO

  1. Eu … Netuno… Ele é ligeiramente mais maciço do que Urano. E me vejo assim: maciça, no sentindo de aguentar os maiores “ventos”assim como o planeta considerado azul. Adoro suas metáforas. :)

  2. Palmas Sofia…..pensar na imensidão do Universo e na existência do ser humano é algo que me fascina também. Suas metáforas são, realmente, muito gostosas de ler !!!

  3. Você já pensou no movimento inverso? Ao invés de sermos pequenos, na verdade agruparmos uma série de galáxias e em cada uma termos mundos habitados. Sim, nosso corpo ser isso. Caso seja dessa forma, então nós somos deuses… Duas referências muito pops mas bem válidas: O Guia do Mochileiro das Galáxias e Homens de Preto. Nos dois filmes, há essa metáfora. Acho que no primeiro, no final, uma criança pega a terra, como se fosse uma bolinha de gude e arremessa com a mão.

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