ENTRE LENÇÓIS E COISAS NÃO DITAS

Eu sinto e vivo e fujo de forma meio implícita e minhas vontades são todas indiretas e calculadas, de uma forma meio preto e branca, toda mistério. Tenho gosto pela penumbra, o implícito, o rosto mostrado pela metade e o corpo desfocado violentamente numa poesia meio distorcida, quase palpável, que atinge meu paladar e minha vontade por tato.

tumblr_nun7kkl6Gt1ug9mi0o1_1280
Eu gosto mesmo é da antecipação que causa aquela ansiedade boa, dos arrepios entre o que foi falado e o que foi traduzido em olhar, dos toques minimalistas do início da noite ou madrugada afora, meio secretos e íntimos por completo. Eu gosto quando o beijo é devagar e a euforia acelera, gosto do sorriso de provocação, do sabor de querer mais, mais, mais. Nunca o suficiente.

Eu gosto é do erótico, não do pornográfico; gosto do sensual no lugar do sexual, gosto das propostas indecentes que me conquistam após a terceira vírgula e da respiração pesada que acompanha a pausa. Eu gosto é do espaço entre as palavras. Eu gosto do silêncio convidativo. Gosto do escuro, do breu, sem possibilidade de qualquer realidade escancarada.

Eu quero mesmo é a verdade toda nua, espalhada entre lençóis, esperando para ser descoberta. Eu gosto quando o sol se esconde atrás do véu e a alma se torna mais ousada e corre riscos: fazer mais, falar mais. Buscar o toque e as sensações num frio noturno atrativo.

Eu gosto do mal contado. Da possibilidade de interpretação livre. Do inacabado que fica ali, disponível para ser finalizado quando, como e onde quisermos.

A sós.

3 comentários sobre “ENTRE LENÇÓIS E COISAS NÃO DITAS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *