ESCREVO (E TALVEZ EU SAIBA O POR QUÊ)

Às vezes me pego perguntando à mim mesma por que diabos escrevo. Quero dizer, algumas pessoas cantam, tocam algum instrumento, desenham ou praticam algum esporte, e eu escrevo. E, diabos, poderia ter escolhido qualquer outra coisa para me dedicar, mas escrevo. Escrevo, e coloco minha alma nisso, fico nua e exposta, me lanço da janela do décimo primeiro andar de um prédio qualquer e caio no asfalto com um baque surdo e rápido, um instante em meio a tantos outros.

Fonte: http://chacomcupcakes.com/?p=5785

Escrever é isso. É o momento entre o início da queda e o impacto final. E eu escrevo, porque a sensação é inegavelmente incrível, de um jeito meio perturbador. Escrevo porque gosto daquele sentimento embolado que se instala no peito e de tempos em tempos resolve subir pela garganta para nos encher de nostalgia. Escrevo porque penso demais, e minha alma implora para ser descarregada, para tirar todo aquele peso das costas de alguma maneira. Escrevo porque sou obcecada pelo desenho das letras e pela dança que a caneta faz enquanto caminha sobre o papel. Escrevo numa tola tentativa de chamar atenção, de ser ouvida, de fazer com que as minhas palavras, de alguma forma, mudem as pessoas e, consequentemente, o mundo.

Escrevo tentando desembolar essa coisa confusa que chamo de pensamentos, fazendo escorrer uma cachoeira de ideias pela caneta, tentando organizá-las em frases e parágrafos. Eu sei, é inútil na maioria das vezes, e tudo continua tão confuso quanto estava antes, mas eu gosto. Eu gosto de mudar o caos de forma, de deixá-lo num jeito igualmente caótico porém diferente. Porque mudanças são totalmente bem vindas, e escrever é modificar incansavelmente. Escrever é irritar-se, é descabelar-se e jogar a caneta para o lado com ódio daquela cor irritante que é o branco do papel. Escrever é um Grande Talvez. É uma rede de possibilidades e de grandes escolhas, como perguntar a si mesmo onde colocar aquela vírgula teimosa ou se certa palavra seria melhor naquela frase. Escrever é se manter em movimento e colocar a mente para trabalhar o tempo todo, sempre observando os mínimos detalhes que nos cercam, pois até mesmo aquele irritante fio solto de uma blusa pode tornar-se inspiração para um texto complexo e cheio de questões profundas sobre algum assunto repleto de filosofias complicadas.

De qualquer maneira, é isso. Escrevo, sim, porque faz com que eu me sinta viva. Porque, enquanto escrevo, sou eu quem comando o texto. Sou eu quem decido quais palavras usar, como organizá-las e como usar as vírgulas e pontos. Escrever é ser, por alguns breves minutos, dono do universo – e se o mundo fosse tão fácil de controlar como um texto, creio que, se colocado nas mãos da pessoa certa, poderíamos estar vivendo num lugar muito melhor. E essa é a razão pela qual escrevo.

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