DE JOELHOS

Escrevo porque não tenho paz, escrevo porque penso demais e sinto em excesso, uma mente caótica com um sofrimento impaciente que exige minha dor como alimento.


Nas últimas semanas me perdi pelo caminho, não conheço mais quem sou e tenho um medo enorme de te pedir ajuda para me encontrar. Sou uma louca imperdoável cheia de erros e penhascos em mim, sem salvação num universo pequeno onde não posso ser quem sou por falta de espaço. Não caibo nesse mundo nem nessa vida mesquinha com mil clichês e egos inflados.

Minhas palavras são soltas e não possuo sequência lógica (nem mesmo nas segundas a tarde). A rotina é pouco demais pra mim e eu nem sei mais como fugir dessa realidade sufocante que estou inserida, onde minhas alucinações e agonias apertam meus órgãos sem descanso. Estou nua num quarto branco e vazio, deitada no chão com ganchos enfiados nos pulsos, paralisada pela intoxicação; overdose por amar demais, sentir demais; há tanto dentro de mim que não sobra espaço para a circulação do meu sangue. Sinto a melodia da ansiedade apertando meu pescoço através da nostalgia e perco o fôlego por alguns segundos. Meu limite está tão próximo que posso tocá-lo: estico os braços e sinto o formato de sua clavícula prestes a ser pressionada contra meu corpo. Choro e sangro no meu espaço em branco.

Sou uma gaveta bagunçada jogada no meio da estrada implorando de joelhos por carona para qualquer lugar. Não sei lidar com meus próprios átomos, neurônios, minha mente exagerada. Sou demais para mim mesma, eu não aguento: me demito.

6 comentários sobre “DE JOELHOS

  1. Belo seu texto “De Joelhos”, mostra sua inquietude e vontade de ir além… vc me lembra a poeta Ana Cristina César, que teve a mesma precidade na escrita como vc… só que não suportou a carga de sua inquietude e inconformismo e e se foi muito cedo… mas deixou uma obra para tentarmos entendê-la… Veja. Parabéns pelos seus textos, muito instingantes… torço por seu sucesso, viu, Sofia? bj

  2. Nossa, Sofia!
    Descobri uma mina de diamantes rosa!
    Me fez estremecer, materializei cada palavra. A inquietude de lidar com cada parte que nos compõe…
    Amei <3

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *