CONTRADIÇÃO

Ele é uma explosão contida dentro de seus jeans rasgados e suas camisetas com frases irônicas. Ele é uma folha de papel limpa, linda, rabiscada com certezas e ideias ilimitadas e criativas. Ele tem seu próprio universo dentro de si, cada galáxia bem montada entre seus órgãos, suas estrelas e buracos negros correndo em suas veias em uma guerra eterna entre o bem e o mal presentes em cada átomo de seu ser.

Ele é voz, ele é grito, ele mantém uma revolução preparada em sua mente e espera pela hora certa de libertá-la por aí. Ele está dez anos adiante de sua geração; pensa grande e atua por meio de pequenas ações. Ele não tem regras (nem limites), apesar de sempre parecer estar jogando uma complicada partida de xadrez contra ele mesmo.

Ele é o James Dean dessa geração, vivendo rápido e de modo intenso. Ele não tem medo de morrer, mas fica assustado com o que pode vir depois: tem medo da incerteza, do improvável, do desconhecido, porque tudo nele contraria a imprecisão.

Seu corpo e mente são pura álgebra, matematicamente intercalados, cúmplices de uma trama bem elaborada. Seus cálculos são equações complicadas e tudo em si exala um certo tipo de simetria surrealista. Ele parece ter sido cuidadosamente projetado por algum arquiteto de alto nível, cada um de seus ângulos parecem se comunicar numa harmonia suave.

Sua alma, no entanto, é a contradição de todo o resto. É a poesia esparramada entre todos seus números, a literatura em confronto com sua matemática, a arte se infiltrando dentro de sua natureza exata. Sua alma é um texto bem escrito com uma pontuação elegante, um poema articulado com versos realistas, a melodia presente entre o ré e o mi.

Eu sou um inverno complicado e jovial, sou tempestades de relâmpagos e raios luminosos, sou o indecifrável céu roxo de outono, uma aurora boreal irreal e bela. Ele, pelo contrário, é verão; confortável e quente. Ele é uma garoa fina, leve, daquelas que trazem uma nostalgia boa.

Entre as idas e vindas de nossas estações tentamos nos intercalar de forma constante, mas nada parece se encaixar do modo desejado. Eu sou lua e ele é o sol, a contradição desenhada em linhas tortas: somos opostos que não se atraem.

3 comentários sobre “CONTRADIÇÃO

  1. “…Seu corpo e mente são pura álgebra, matematicamente intercalados, cúmplices de uma trama bem elaborada.” Eu fico literalmente leve quando leio os seus textos. Está tudo lindo nesse blog! Prazer de ler e reler….

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